segunda-feira, 27 de março de 2017

A morte de um inocente vira estatística mais uma vez



Um argentino estava com seus amigos num bar do Rio de Janeiro e foi brutalmente espancado até a morte. O motivo? Ter esbarrado em alguém que não gostou

A violência quase já não choca as pessoas, pois ela acontece tantas vezes todos os dias que praticamente estamos acostumados. É a naturalização do bizarro, aquilo que é deplorável passa a ser normal.

Temos a ideia de que é possível resolver tudo na base da porrada, nós não sabemos argumentar. Diante de um acidente de trânsito, um esbarrão, entre outras cenas do cotidiano, raramente usamos as palavras “me desculpe” “por favor” “com licença” “por gentileza”. Algumas pessoas acreditam que os brasileiros são passivos, que aceitam tudo, eu acredito no contrário. Quantas ações violentas presenciamos no dia a dia, uma briga de trânsito, alguém que atirou em outra pessoa porque ela pisou no seu pé, ou alguém que perdeu os dentes apenas por ter olhado para a namorada do agressor.

A violência parece que está em nós, em nosso DNA. O Brasil registra cerca de 60 mil mortes por violência por ano. São pais de família, trabalhadores, policiais, empresários, crianças, todos estão sujeitos a uma ação violenta, ou a uma tal de “bala perdida”. O grande número de mortes por arma de fogo demonstra a incapacidade do estado de fazer valer o estatuto do desarmamento. Não acredito que se as armas fossem liberadas tudo seria melhor, mas a proibição que existe praticamente não vale nada. O Crime organizado, o tráfico internacional de drogas e armas é uma indústria bilionária que estaria entre as top 10 empresas em movimentação financeira. Grande parte das armas que estão na mão dos criminosos são fabricadas no Brasil, ou seja, elas caem em mãos erradas por alguma forma, seja quando são tomadas de policiais, ou vendidas por eles mesmos ao crime organizado. A indústria de armas de fogo no Brasil é também um negócio bilionário, portanto quanto mais violência e morte melhor para os empresários deste setor.

A essência da ação violência é a não aceitação do outro. Ele é diferente de mim portanto é inferior. A isso dá-se o nome de etnocentrismo, ou seja, colocar a sua cultura como sendo superior as outras. Acredito que o fato de o rapaz ser argentino também foi um fator que influenciou a agressão. Existe uma rivalidade histórica entre Brasil e Argentina que é facilmente percebida nos jogos de futebol. Acreditamos que os argentinos são um povo muito inferior a nós.

Hoje uma família chora a perda do seu filho enquanto espera da justiça brasileira ações para punir os envolvidos. A estrutura judicial é tão complexa que não há certeza de que os culpados serão punidos. Ainda mais se forem jovens ricos e puderem pagar advogados influentes, que na maioria dos casos conhecem bem os juízes que irão julgar o caso. O goleiro Bruno foi condenado a 22 anos de prisão e ficou apenas 6 anos

Matías Sebastian Carena, de 28 anos gostava de jogar futebol e de acompanhar as partidas de seu time favorito. Era um rapaz como qualquer um de nós, poderia ser um filho, um irmão, um tio. Infelizmente é mais uma vida que se vai por um motivo extremamente fútil.



sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Introdução a história



"A história é a ciência dos homens no tempo" - Marc Bloch

A história se constitui como ciência no século XIX, assim como as demais ciências humanas, geografia, antropologia e sociologia.
Todas estas ciências se constroem no momento da expansão do capitalismo, ou seja, da revolução industrial que está em curso e da necessidade de colonização de outros povos pelos países imperialistas. A África por exemplo é um continente gigantesco, então as ciências vão se debruçar em explorar seu território, elaborar mapas e relatar onde as riquezas naturais se encontram. A geografia terá um papel muito importante com a atuação da sociedades geográficas, entidades privadas de cientistas financiadas pelo governo para prestar serviços de exploração e "descobrimento".

Podemos dizer que no século XIX todas as ciências estavam a serviço do imperialismo, isto é, da dominação de povos que foram considerados "inferiores".

Desde a colonização espanhola e portuguesa no século XVI, o europeu se deparou com uma questão antropológica, a alteridade. Ela consiste em se colocar no lugar do outro, perceber o mundo com o olhar de outra pessoa, o que vai ocorrer bem depois é claro. O europeu vai se considerar superior em todo lugar que pisar, assim os modos de vida da população indígena, seus costumes e suas crenças vão ser taxados de primitivos e não civilizados

Pero Vaz de Caminha vai dizer em sua carta: "Pardos, nus, sem coisa alguma que lhes cobrisse suas vergonhas. Traziam arcos nas mãos, e suas setas."

Para a mentalidade da época, o fato de os índios não usarem roupas era um absurdo total. Dentre outras questões, serão levantadas vários debates:

Os indígenas são seres humanos?
Possuem alma?
Porque eles não possuem um rei?
Porque vivem das coisas da floresta?
Não comem com garfos nem conhecem a prataria e os "bons modos" europeus?

A igreja católica vai apoiar a escravidão indígena e negra embora houveram aqueles religiosos que se opuseram a isso. Fica claro que a igreja não estava interessada somente em questões religiosas, mas também em poder e dinheiro, muito dinheiro.